O veraneio na Pedra Redonda

 

Rapazes na Pedra Redonda/1920
Fonte: Acervo Museu de POA

 

Banhistas na Pedra Redonda/1920Fonte: Acervo Museu de POA

Banhistas na Pedra Redonda/1920
Fonte: Acervo Museu de POA

A Pedra Redonda, desde a Ponta dos Cachimbos, na Vila Conceição, até o Morro do Sabiá em Ipanema, foi adquirida em 1903 pelo Senhor Frederico Guilherme Bier, um rico comerciante de Porto Alegre. Fundador do Banco Pfeiffer, foi também um dos grandes acionistas dos Bancos da Província e Nacional do Comércio. Seu Frederico fazia parte de uma burguesia ascendente que residia em Ipanema no início do século passado, e por isso ficara com os melhores terrenos da região. 

Por ser, na época, a melhor praia do Guaíba, a Pedra Redonda, atraía muitos turistas, o que levou à construção das famosas vivendas para veraneio. O local teve seu auge nos anos 20 e 30 com o advento do trem que chegava trazendo banhistas até a beira da praia, onde hoje está a SERGS – Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul. Com direito a hotel, restaurante e cassino, a praia desenvolveu, tornando-se o “point” mais concorrido da cidade. Um trapiche foi construído em frente ao hotel/restaurante de propriedade do Senhor Lotário Pabst, um fabricante de roupas e gravatas e juntamente com o trem, uma linha de vapor também fazia a viagem até a Pedra Redonda, nos domingos e feriados. Conforme PELLIN, “… a novidade da época era fazer um lindo passeio fluvial pelos vapores Guaporé ou Bubi e atracar no trapiche da Pedra Redonda”.

A região tornou-se zona de veraneio muito antes de Ipanema. Tempos mais tarde, continuou sendo o local preferido para descanso e lazer, pois eram as praias da Tristeza (Pedra Redonda, Assunção e Conceição) e do Ipanema, as preferidas pela população. Muitos porto-alegrenses para lá se dirigiam a fim de curtir os banhos de rio e fazer piqueniques às sombras de figueiras centenárias. Os jovens, especialmente, apreciavam namorar, passear e colher pitangas, entre um banho e outro no rio. Com o calor escaldante de janeiro e fevereiro, os veranistas podiam se refrescar nas águas do Guaíba e usufruir a brisa agradável vinda da Lagoa dos Patos.

A alegria era contagiante, como relembra a senhora Maria de Lourdes Mastroberti, cujos passeios à Pedra Redonda eram uma constante nos domingos de verão, entre os anos 40 e 50 do século passado:

“A gente ia porque era o lugar que tinha praia. No fim de semana, no domingo, a gente saía de manhã bem cedinho e voltava à tarde. Tinha ônibus com tranqüilidade. Se aproveitava a praia, com dia bonito. Ia eu, minha irmã e uma amiga dela. E eu gostava muito. Levava lanche. Galinha com farofa não podia faltar e bolo, que a minha mãe fazia. A gente comia também ovo cozido e levava pão com salame e queijo, era o sanduiche. Para beber, se levava umas garrafinhas com refresco. E tinha ainda aquelas famosas barraquinhas para se trocar. Eram compridas, tinha uns 2 metros de altura, era como um cone. Em cima tinha um cordão que a gente amarrava nas árvores. Na barraquinha cabia só uma pessoa. Entrava pra dentro, tirava o vestido e colocava o maiô. Ficava o dia inteiro de maiô. Tomava-se banho no rio. Ah, se aproveitou muito lá na Pedra Redonda. No fim do dia a gente colocava tudo dentro de uma sacola e voltava para casa. Esperava o ônibus no final da linha, tudo na maior tranqüilidade. Hoje já não se pode fazer mais isso”.

 

Assim, era a Pedra Redonda de antigamente, um lugar de lazer, de banho e veraneio, um espaço de identidade urbana e de contato dos moradores com o rio.

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