Ideias não se constroem se não saírem do papel. Vamos dar as mãos e, principalmente, sentir que, naquilo que depende de nossa pequena ajuda, estamos em ação”. Geraldo Tollens Linck (1927-1998)

Turma Projeto Pescar Procergs

Turma Projeto Pescar Procergs

Fala-se muito em ações solidárias ou atitudes que incentivam à prática social, como ajudar pessoas necessitadas, excluídas e marginalizadas, entretanto, a própria sociedade exclui. A exclusão social se evidencia na ausência de valores humanos, revelando um mundo vinculado ao mercado competitivo, onde a proposta educativa para a formação é aquela que visa ao vestibular e posteriormente ao mercado de trabalho. E como ficam os jovens que não tem acesso a essa formação? A resposta é óbvia: ficam no submundo do narcotráfico, da prostituição e da delinqüência, cujos efeitos são devastadores a toda sociedade. Tanta energia e potencial criativo de milhões de jovens, perdidos pela falta de acesso à educação e a formação profissional.

O Projeto Pescar, idealizado e criado pelo empresário gaúcho, Geraldo Tollens Linck na década de 70, teve por inspiração o conhecido provérbio chinês: Se deres um peixe a um homem faminto, vais alimentá-lo por um dia; porém, se o ensinares a pescar, vais alimentá-lo por toda a vida”. Em um período de silêncios e incertezas, a iniciativa, a princípio utópica, do empresário destoava do regime daquele momento, pois a ditadura militar não só limitava as liberdades, como também vigiava, através da censura, quaisquer ações desencadeadas pela sociedade civil.  Porto Alegre contava com quase um milhão de habitantes e enfrentava os problemas normais de uma grande metrópole: violência e pobreza.

Esse era o cenário, quando surgiu o PESCAR, um projeto que tinha nos slogans “oportunidades que transformam vidas” e “empresa socialmente responsável”, o pensamento e as ações dos empresários envolvidos. Pioneiro no Estado, ele norteou-se pela qualificação de jovens que, em sua maioria, viviam em situação de pobreza e exclusão social.  Jovens que sentiam perder a sua auto-estima e a sua identidade de pertencer a um grupo social organizado, pois além de emprego e renda, faltava-lhes o acesso à moradia decente, à cultura e aos serviços sociais, como educação e saúde.

Na Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul, a PROCERGS, o Projeto foi introduzido em 2006, tornando-se uma das iniciativas do Programa de Responsabilidade Social da Empresa, O PROCERGS SOCIAL. Desde então, a cada final de ano, após encerrar-se o ciclo de aprendizagem e de estágios em alguns setores da Companhia, formam-se jovens que são imediatamente encaminhados ao mercado de trabalho. É importante salientar que a unidade PROCERGS é um referencial para todo o país, possuindo um baixo índice de evasão e um aproveitamento de seus ex-alunos no mercado de 100%. São adolescentes que, ao concluir os estudos, podem vislumbrar uma nova perspectiva de vida.

O projeto desenvolve-se nas dependências do Centro de Treinamento, situado à Zona Sul da cidade, e tem por objetivo não só a transmissão de conteúdos relacionados à informática, área de atuação da Companhia, como também outros temas que dizem respeito à cidadania e ao desenvolvimento pessoal.  Assim como em outras empresas, que incorporaram no seu dia-a-dia, a responsabilidade do Projeto, na PROCERGS, o programa é ministrado por profissionais voluntários da própria Companhia, entre eles técnicos de diversas áreas.

As dificuldades são muitas, porém, quando há o comprometimento de todos em um projeto desta natureza, pode-se, certamente, sonhar com mudanças mais significativas na vida de muitos jovens. Afinal, uma sociedade estabilizada na ordem depende do direito às oportunidades àqueles que anseiam por uma vida digna. E essa é alicerçada no desejo desses jovens se encontrarem com os outros na comunidade, de readquirirem a confiança em si e nos demais para o resgate de sua auto-estima. Contribuir para o melhor aproveitamento de todos os jovens, sem distinção de classes, implica mudanças substanciais na ética das relações sociais, na compreensão da subjetividade humana e na convicção de que todos são capazes. É desta forma que se constrói uma sociedade mais solidária.

 

 

 

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