Capela de Ipanema em 1937/Pintor: Carlos R.Rosa

Preocupada com o futuro religioso do novo bairro que surgia, D. Déa Cezar Coufal, responsável por inúmeros trabalhos sociais em Ipanema e devota de Nossa Senhora Aparecida, empreendeu também a construção da capela nos anos 30 do século passado.  Atualmente conhecido por Santuário Nossa Senhora Aparecida, o local oferece a comunidade, todos os anos, uma das festas mais bonitas em homenagem a Santa Padroeira do Brasil.

Essa matéria pode ser vista também no Blog Zona Sul  da Zero Hora: http://wp.clicrbs.com.br/zhzonasul/2011/10/12/nossa-senhora-aparecida-em-ipanema/?topo=13,1,1,,,13

A história da capelinha inicia em 1931 quando Déa Coufal pediu à Sociedade de Terrenos Balneário Ipanema LTDA a doação de alguns lotes para a construção da igreja.  Conforme nos conta o padre Antônio Lorenzatto:

Pediu à sociedade loteadora a doação dos terrenos 1 e 58 da quadra 13, com frente para a praça central, Avenida Tramandaí e rua Leme. Isto lhe foi concedido. Estando assegurado a espaço para a construção do templo, dona Déa viajou para Aparecida, em São Paulo. Adquiriu uma estátua de Nossa Senhora Aparecida com as mesmas dimensões da original, pediu para que um sacerdote a benzesse dentro do Santuário Nacional. Depois procurou o professor de arquitetura, o espanhol Fernando Corona e combinaram projetar e construir uma capela em estilo barroco”.

Com doações de fiéis e moradores do bairro, a capela foi sendo erguida. Devido ao grande número de veranistas, a festa de inauguração da nova igreja deu-se no verão de 1937. Depois disso, a festa da padroeira seria sempre realizada nos meses de janeiro ou fevereiro de cada ano. A primeira missa foi celebrada pelo Monsenhor Emílio Lottermann em janeiro e a primeira comunhão em novembro de 1937 com um grupo de crianças do Colégio Escolas Reunidas do Passo do Capivara.

Infelizmente, a simpática capelinha, em estilo barroco espanhol, não teria vida longa, pois junto à construção foram erguidos eucaliptos, cujas raízes, anos mais tarde, danificaram os alicerces da igreja. Conforme relembra Padre Antônio: “No local onde foi feita a capela havia um pântano, era um banhado. Por isso havia na região o cultivo de arroz pelos antigos fazendeiros. Para drenar, o loteador mandou plantar nas imediações da igreja alguns eucaliptos. Não resolveu muito, pois tempos mais tarde toda a estrutura da capela ficou comprometida. Com o aumento das fendas, foi pedido um exame à Secretaria de Obras Públicas e em 30 de julho de 1960, após meticulosa vistoria, as autoridades condenaram o prédio”.

A demolição da capelinha foi sentida por todos, pois ela era um “mimo” da arquitetura colonial espanhola e durante muitos anos acompanhou o desenvolvimento do bairro, tornando-se referência em Ipanema. Nas palavras de Padre Antônio percebe-se uma nostalgia, um misto de tristeza e saudade causadas pelas transformações ocorridas na região. “Quando no começo dos tempos, Deus criou a terra (Gen.1,1) formou também a bela e extensa planície Ipanema. E o criador viu que era bom‟ (Gen. 1,31). Mas, Ipanema não era apenas um bom recanto, mas seria igualmente um bairro esplêndido, engastado por encantadoras praias e graciosos montes cobertos por mataria verde-escura”. (Padre Antônio D. Lorenzatto, 1º pároco de Ipanema, hoje com 92 anos)

Referências:

LORENZATTO, Padre Antônio. Entrevista concedida à autora. Porto Alegre, abr. 2011.

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