Comandante Booth em passeio pela Estrada da Pedra Redonda/1900

Comandante Booth em passeio pela Estrada da Pedra Redonda/1900

Na segunda metade do século XIX, integrando o grupo de ingleses recém chegados ao Rio Grande do Sul, Charles Edward Booth descobre a Zona Sul de Porto Alegre. Egresso da Marinha Mercante Inglesa, Charles ficou conhecido por Comandante Booth. Conta sua bisneta Rita Brugger que ele residiu também no Partenon antes de se mudar para a Pedra Redonda. Na realidade, ele comprou uma área que ia desde a beira do rio até a Cavalhada. Toda a região onde hoje se situa os bairros Pedra Redonda e Jardim Isabel pertenciam aos Booth. “Nosso bisavô Charles foi o primeiro na Pedra Redonda, ele comprou muitas terras aqui”.

Após descobrir uma mina de argila (hoje imediações da sede da AABB na avenida Coronel Marcos), Charles edificou ali a sua olaria. Os tijolos fabricados eram transportados até o Centro de Porto Alegre pelo Guaíba. Para o escoamento da produção havia, na beira do rio, fundos do clube Macabi, um trapiche construído para esse fim.

Trapiche particular da família Booth

Trapiche particular da família Booth

 

Tijolo fabricado na olaria do Comandante Botth

Tijolo fabricado na olaria do Comandante Botth

Os tijolos ‘Três estrelas’ (marca Booth) eram transportados em trólei sobre trilhos até a ponta de um trapiche, onde eram carregadas chatas que levavam o material para o cais do porto. Quando a olaria encerrou suas atividades, a madeira do trapiche foi vendida para um cidadão que tentou arrancar as colunas do fundo do rio. Como elas não cederam, e o guindaste usado virou, o tal cidadão resolveu serrar as colunas no nível da água; os tocos ainda estavam todos lá até a década de 1960 e causaram vários acidentes com lanchas que não conheciam o local e passaram por cima quando as águas do rio cobriam tudo”, conta Rita. Os tijolos “três estrelas” foram utilizados para a construção do Paço Municipal em 1898, a sede da Intendência de Porto Alegre. Ainda sobre o que sobrou do trapiche do Comandante Booth, relembra Rita: “eu e meus irmãos e todos os amigos, residentes e veranistas da Pedra Redonda, cada um tinha o seu toco. A gente ficava durante horas pendurado dentro d’água, conversando, rindo e colocando as ‘fofocas em dia’. No verão, às vezes, dava pé no último toco do fim do trapiche, era o maior, o mais grosso. Mas, geralmente a gente tinha que nadar até lá”.

Os 5 irmãos Bromberg e Dorothy (filha do Comandante Booth)

Os 5 irmãos Bromberg e Dorothy (filha do Comandante Booth)

Era comum, naqueles tempos, as famílias estrangeiras frequentarem os mesmos locais de sociabilidades, como os clubes, as festas e, no verão, a beira do rio. E foi isso que aconteceu com os Booth e os Bromberg, como relata Rita: “Ainda, no século 19, as colônias alemã e inglesa em Porto Alegre se davam muito bem, o que fez a ‘alemoada’ frequentar a residência dos Booth nos fins de semana. Assim, Waldemar Bromberg conheceu Dorothy Booth, uma das filhas de Charles, com quem se casou e teve 5 filhos”. Abrangendo os mercados não só do Brasil, como também no exterior, a firma Bromberg & Cia, e posteriormente Bromberg SA, figura entre as mais importantes e antigas no ramo das indústrias de máquinas do Rio Grande do Sul. Toda a área ao longo da Antiga Travessa Pedra Redonda, pertencente a Charles, foi, no transcorrer dos anos, sendo loteada por descendentes do comandante e também por empregados da olaria. A seguir as histórias e o veraneio de Waldemar e Dorothy Bromberg Booth.

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