Os Bromberg na chácara da Pedra Redonda

Primeira geração da família Bromberg/1900

A Porto Alegre do fim do século XIX ostentava várias casas comerciais cujos proprietários eram todos alemães. Porém, o caso de maior sucesso foi, sem dúvida, o da empresa de Martin Bromberg, que importava, de Londres, Hamburgo e Nova Iorque, ferro e máquinas para indústrias gaúchas. O nome Bromberg esteve vinculado também à construção de ferrovias e de pontes férreas, bem como à importação de locomotivas. Com filiais em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Hamburgo, a empresa importava até automóveis, entre eles, o “fusca” alemão. Com uma diversificação do capital comercial, a Bromberg, por meio de financiamentos, esteve presente na formação das primeiras indústrias no estado. Desta forma, os negócios bem sucedidos irradiaram-se pelo Brasil e por outros países da América do Sul, influenciando diretamente no desenvolvimento da economia do Rio Grande do Sul e na ascensão de grupos que tinham estreita ligação com a Alemanha. A aquisição de terras no balneário da Pedra Redonda se insere no universo de teuto-brasileiros na Zona Sul de Porto Alegre. 

Crianças na chácara da Pedra Redonda

Crianças na chácara da Pedra Redonda

Atraídos por belos cenários e pela possibilidade de recreio na região, Waldemar Bromberg, um dos filhos de Martin, adquiriu em 1900 uma chácara de verão para usos da família, conforme relembra sua neta Lilian: “O meu avô Waldemar que nasceu na Alemanha veio para cá como comerciante, ele fez parte do grande comércio da firma Bromberg. E o vínculo dele com a Pedra Redonda é que ele comprou um pedaço de terra, fundos para praia, e aqui montou a sua casa e passou a veranear. Ele tinha uma residência na Mostardeiro e durante os fins de semana e no verão passava aqui na casa da praia”. Com uma infraestrutura completa planejada para o lazer e o descanso, a chácara disponibilizava um espaço de conforto à beira do Guaíba.

Ainda na virada do século passado, Waldemar conheceu Dorothy Booth, de origem inglesa, com quem se casou e teve cinco filhos. É fato que a comunidade de estrangeiros se aproximou, e muitos casamentos ocorreram a partir desse convívio. E, justamente, os ingleses e os alemães foram os que mais se identificaram.

Casa de veraneio de Waldemar Bromberg

Casa de veraneio de Waldemar Bromberg

A casa de verão dos Bromberg ficava à beira rio – possuindo, inclusive, guarda-barcos e atracadouro próprio, o que facilitava a prática de esportes no Guaíba. Para Lilian, os alemães buscavam o sol e os prazeres do rio: “Meu avô velejava, remava e pescava. E o rio era um convite pra um banho imediato. Não se pensava duas vezes”. A ampla moradia priorizava espaço e conforto. A bonita cobertura do telhado protegia do forte calor nos meses mais tórridos, proporcionando, assim, bem-estar aos frequentadores da propriedade. O avarandado, típico de casas de veraneio, servia para melhor acomodar a família e os convidados. Sendo o atrativo maior, as águas limpas do rio, a escada de poucos degraus levava até a praia. A chácara também possuía jardins bem ornamentados, árvores centenárias e um piso de grama bem ao estilo alemão.

Com o passar do tempo, muitas famílias que faziam o seu veraneio na Zona Sul, passaram a residir no local. E assim foi com os Bromberg. Depois de seu retorno da Alemanha em 1919, Waldemar e Dorothy passaram a residir o ano todo na Pedra Redonda. Em torno dos anos 1930, devido à quebra da Bolsa de Valores de Nova York, as empresas enfrentaram uma forte retração nos negócios, obrigando a família a abrir o capital aos novos sócios. Entre as medidas de contenção, uma delas levou a família a residir, definitivamente, na Pedra Redonda. A partir de então, o novo empreendimento dos Bromberg, após reestruturação, passou a se chamar Bromberg Sociedade Anônima. As lojas em Porto Alegre, também conhecidas por Palácio Encantado, se mantiveram até 1982, quando a firma encerrou todas as suas atividades no Rio Grande do Sul.

Beira da Praia da Pedra Redonda/1920

Beira da Praia da Pedra Redonda/1920

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