Time do Grêmio/1909

Time do Grêmio/1909. Booth (sentado, o segundo a partir da direita)

No final do século dezenove, o futebol vinha aos poucos se tornando conhecido no Brasil. No Rio Grande do Sul, foram os imigrantes que trouxeram a ideia do novo esporte. As primeiras bolas de couro entraram pelo porto de Rio Grande e pela fronteira com o Uruguai, vindas diretamente da Inglaterra, e logo se espalharam pelo estado. Em Porto Alegre, o primeiro clube a surgir foi o “Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense” em 1903. Ele surgiu a partir de uma reunião de comerciantes teutos cujos estabelecimentos se localizavam no centro da cidade. O fato é que os alemães gostavam muito de esportes, um exemplo disso é o pioneirismo também na modalidade aquática, entre eles, os praticados no Guaíba como vela e remo.

Entretanto, o futebol logo angariou a preferência nacional. Na realidade, ele universalizou, democratizando-se com as “peladas” de rua e o “bate-bola” nos campinhos e nas várzeas. Em 1909, surge em Porto Alegre, o Sport Club Internacional, clube que rivalizaria com o Grêmio até os dias atuais e que ajudaria a fazer história. O primeiro confronto entre os dois clubes aconteceu no ano de 1909. O histórico primeiro GRENAL (apesar de o jogo ainda não ser conhecido assim) marcou época no cenário futebolístico do Rio Grande do Sul. Um dos integrantes de uma família de imigrantes que residia na Pedra Redonda, Zona Sul da cidade, teria destaque nesse cenário esportivo da época. 

Edgar Booth, descendente de ingleses, foi o primeiro a apresentar as regras do “foot-ball” aos “guris” do longínquo arrabalde da Tristeza naquele inicio do século vinte. Filho do Comandante Charles Edward Booth, egresso da Marinha Mercante Inglesa e de Jenny Adelina Booth, também imigrante, Edgar possuía ainda três irmãs: Dorothy, Margery e Phyllis.

Edgar (ao centro) com a família na chácara da Zona Sul

Edgar (ao centro) com a família na chácara da Zona Sul

É fato que, naqueles idos de 1900, era prática da rapaziada, além de aproveitarem a orla do Guaíba para banhos, se entreterem com um jogo que era a novidade naquela época: o futebol. Assim, Edgar costumava reunir os amigos e conhecidos para participarem de um “joguinho de bola” na Praça da Tristeza, hoje Comendador Souza Gomes. Desde o final do século dezenove, o local era marcado por sociabilidades, pois além de ser a chegada do trem que transportava passageiros e mercadorias do centro de Porto Alegre até a Tristeza, também servia para encontros entre moradores e veranistas.

Com o tempo, Booth foi adquirindo experiência e daí para atuar em um clube, foi um passo. Em pesquisas no Memorial Museu do Grêmio Hermínio Bittencourt descobriu-se que ele iniciou carreira de jogador de futebol profissional no Grêmio, onde jogou de 1909 a 1913, na posição de atacante. Em 18 de julho de 1909, no histórico primeiro GRENAL, já atuando como titular, marcou cinco gols na partida a qual terminou em 10 x 0 para o Grêmio. Na ocasião, o árbitro foi seu cunhado Waldemar Bromberg (casado com sua irmã Dorothy Booth), que não só gostava de futebol, mas também conhecia as regras desse esporte. No segundo GRENAL, Booth também se destacou: foi o grande centroavante e capitão do time. Além de comandar o Grêmio dentro das quatro linhas, era também o técnico fora delas, ou seja, era a autoridade máxima: o comandante – uma herança genuinamente inglesa.

Cartaz do primeiro GRENAL

Cartaz do primeiro GRENAL

O fato é que Edgar Booth era um especialista com a bola no pé, quer driblando, quer criando jogadas geniais. Era fácil para ele chegar até a porta do gol, marcando sempre para o Grêmio. Muitas vitórias acompanharam a trajetória desse craque. Por isso, a história do Grêmio Futebol Porto Alegrense está ligada a desse personagem, que não só abriu o placar do primeiro GRENAL, mas também teve o mérito de ser o primeiro goleador da história desse clássico que monopoliza emoções e rivalidades entre os gaúchos até os dias de hoje.

Após abandonar a carreira futebolística, Edgar casou-se com a miss Porto Alegre, Alice Hoffmann, tendo com ela, dois filhos: Robert (Bobby) Booth, falecido recentemente, aos 84 anos e Ronald Booth.

Alice e os filhos de Edgar

Alice e os filhos de Edgar

Neste tempo, Edgar atuou no ramo da navegação, integrando a equipe diretiva da Companhia de Navegação das Lagoas, cujos escritórios se localizavam no centro de Porto Alegre. A empresa manteve, durante muitos anos, os serviços de rebocadores e chatas entre os portos de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre. Edgar Booth deixou o Brasil em torno dos anos 1930, indo morar no Uruguai, local onde viveu o resto de sua vida, falecendo na década de 1950.

Fontes: Memorial Museu do Grêmio Hermínio Bittencourt e Acervos da família Booth e Bromberg.

 

Jogadores em 1909: GRÊMIO: Callfez, Deppermann e Becker; Carls, Black e Mostardeiro; Brochado, Moreira, Booth, Schroeder e Grunhewald. INTERNACIONAL: Poppe II, Portela e Simoni; Vinholes, Pires e Weternich; Poppe I, Horacio, Cesar, Mendonça e Carvalho.

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