A cheia no Guaíba

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A água do rio sobe e desce, dia sim, dia não.  O aguapé surgiu com flores lilás. Apressado e vindo do rio Jacuí, deu trombadas no farol e na bóia do meio. Ah, surgiram cobras verdes, que foram confundidas com a paisagem imposta pela cheia. E todos, lá em casa, mudaram de lugar. As galinhas passaram a dormir no quarto do tio Joeli, os porcos invadiram a cozinha da vó Jorja, sabiá fugiu da briga, quero-quero partiu em debandada para o norte, lá para as Missões. 

Põr do sol e aguapés no Guaíba

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Meu veraneio em Ipanema

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Na Praia de Ipanema com meu irmão.

Em janeiro dos anos 1970, a praia de Ipanema era um local aonde se dirigiam os porto-alegrenses que buscavam amenizar o forte calor. A orla fica tomada de gente. Lembro-me de que minhas primas tinham por hábito visitar-me – evidentemente, não pelos laços familiares, mas para desfrutar de banhos no Guaíba. Ainda que as águas já estivessem um pouco poluídas, os banhistas – mirins, como eu – insistiam naquela diversão. Os pais, via de regra proibiam tal prática – entretanto, nós, ainda crianças, burlávamos a vigilância para aquela brincadeira tão prazerosa que incluía os mergulhos, a coleta de conchas e o bate-papo na areia para secar o corpo ao sol.

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A Velha Casa do Cristal e Nós

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A Velha Casa do Cristal/ Ilustração
Fonte: acervo particular

A velha casa tem sono. Dorme e sonha. Em cada peça (que foi quarto improvisado) descobre uma lembrança. Em cada canto, cada espaço, reconstitui uma recordação. Em cada móvel revive-se um instante que vai bem longe. Na sombra da amoreira, onde não há ninguém para receber o refrescar do entardecer, voltam os chimarrões, misturam-se as conversas, os conselhos dos mais velhos, dos troncos Freitas, muito antigos, antigamente. O portão improvisado e escancarado deixa passar no impossível retorno, quem já se foi. Acende, imaginando, as luzes já sem sentido. Não há porquê. No ipê, do fundo do quintal, na sempre-viva entrelaçada na cerca, tão secos e sem vida, voltam as flores amarelas e vermelhas do faz-de-conta. Na ponta da mesa, o homem de camisa branca e pijama adormece. O descanso merece assim o  seu lugar. Mais

Retrato de Beth

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Beth (de laço no cabelo) e amiguinhas (eu de chapéu)

De parto normal e assistida por D. Maria parteira, nasceu Beth.  Mais

Vovô, a Praça da Alfândega e seu fotógrafo Lambe-Lambe

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Vovô na Praça da Alfândega

A Praça da Alfândega, no Centro de Porto Alegre, rodeada de prédios neoclássicos era o lugar aprazível, onde os namorados encontravam-se para conversar e passear. Era, ali, também, que se tiravam “retratos”, no intuito de ofertar à namorada, ou, quem sabe, deixar à posteridade, uma lembrança.  Mais

Lembranças da infância

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Na foto estão: nossa empregada, minha mãe, minha tia, meu irmão e um amigo, minha prima e eu e minha outra tia.

Passeio de canoa pelo Guaíba (eu de conjunto listradinho e meu irmão de calças curtas)

Ao meu irmão …

Eu queria ser criança novamente, correr despreocupado pelas ruas, soltar pandorgas, me armar de bodoque, pegar passarinho, dar mergulhos no rio, fugir da escola. Brincar de forte apache, ser de novo um general condecorado, um Custer no Sétimo Batalhão comandando a infantaria mirim, enfrentando Touro Sentado e Cavalo Louco. Tocando a alvorada, liquidando sioux de plástico, fazendo soltar o Rin-Tin-Tin com sua pintura descascada sobre um Jerônimo não menos fantasioso. Não, pensando melhor, um jogador de futebol, vestir novamente aquela camiseta surrada, batida e chutar uma bola de sonhos perdida na minha doce e maravilhosa infância.

 

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