A Boate do Avião: um ponto de encontro em Ipanema

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Boate do Avião
Acervo de Homero/Relojoeiro da Tristeza

Nos anos setenta, passear aos domingos em Ipanema, Zona Sul de Porto Alegre,  significava passar em frente ao famoso avião DC3 da VARIG que ficava na Avenida Cel. Marcos, próximo ao Morro do Sabiá[1]. A aeronave desativada foi transformada em boate restaurante, servindo como um ponto de encontro de casais que utilizavam o espaço para jantar, dançar e namorar. Mais

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A II Guerra e a perseguição aos alemães em Porto Alegre : memórias de uma descendente de imigrantes

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       O Estado Novo, governo ditatorial de Getúlio Vargas, teve início no Brasil em 1937, coincidindo com o período em que o partido nazista assumiu o poder na Alemanha.  O fortalecimento de regimes totalitários na Europa, entre eles o nazismo, encorajou Vargas na instauração de um regime ditatorial no País. A decretação do Estado Novo visava a um maior intervencionismo estatal, eliminando assim o liberalismo decorrente da Constituição Liberal de 1934. Pensava-se que a crise da liberal-democracia só seria solucionada diante de um poder forte, autoritário e estabilizador da ordem. Assim, o ano de 1937 ficou fortemente marcado como o período em que o governo implantou a censura aos meios de comunicação, como rádio, revistas e jornais. Também houve censura as artes, ao cinema, o teatro e a música. Além disso, foi proibida a prática de qualquer atividade de natureza política dos estrangeiros residentes no país, entre eles os alemães. A perseguição a esses grupos foi intensa em algumas cidades do Estado. Neta de imigrantes alemães, Rita Bromberg Brugger (88 anos)  relembra alguns episódios deste período em Porto Alegre.

Rita no colo do bisavô na chácara da Pedra Redonda. Acervo da família.

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A Chácara de Oswaldo Aranha e a Revolução de Trinta

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Proprietário de uma chácara na Pedra Redonda, que na época pertencia ao bairro Tristeza, Zona Sul de Porto Alegre, Oswaldo Aranha utilizou o local para reuniões de preparação ao Movimento de trinta. “A casa de Osvaldo Aranha, na Tristeza, tornou-se sede partidária. A qualquer horário era solicitado, recebia sem dificuldades, com expressão dominadora sobre o interlocutor sem perder a cordialidade” (FLORES, p.12). O movimento revolucionário de trinta foi gestado pela determinação e organização de Oswaldo Aranha. Getúlio afirmaria, tempos depois, que Aranha foi o grande “animador da Revolução”. Góes Monteiro resumiria o que todos os participantes sabiam: “Oswaldo Aranha era a alma do movimento” (STANLEY, p. 40). Com um invejável dom de convencimento e uma vivacidade intelectual, Aranha tornou-se o “epicentro de um movimento vulcânico”, segundo o político João Neves. As reuniões, realizadas em diversos lugares de Porto Alegre, fortaleciam e delineavam a concretização do movimento. Um desses lugares estratégicos e de encontros secretos entre políticos da época foi a Chácara de Verão de Oswaldo Aranha, na Tristeza. Era lá que os ideais em torno da tomada do poder federal por Getúlio Vargas tomavam força.

Revista do Globo/Edição Especial de 1931

Imagem da casa na Pedra Redonda  Fonte: Revista do Globo/Edição Especial de 1931

 

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OS Pabst: Restaurante Familiar à beira do Guaíba

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Na primeira metade do século passado, o balneário da Pedra Redonda, situado na Zona Sul da cidade, embora distante do centro, atraía o porto-alegrense devido às suas praias de águas limpas.  Em torno de 1898, Joahnn Pabst, um imigrante de origem alemã, seguindo a mesma tradição de outros teutos recém-chegados ao Brasil, adquiriu terras na região. A ideia era um lugar para descanso e lazer às margens do Guaíba. Passados alguns anos, Joahnn construiu sua casa de veraneio, transformando o local na chácara da Família Pabst.

Joahnn e Lina Pabst Acervo de Flávio Pabst

Joahnn e Lina Pabst
Acervo de Flávio Pabst

“A escolha do Brasil como país de destino, conforme relato de João Gastão Mostardeiro Pabst, se deu por influência de um amigo de Johann: o Comandante Booth, da marinha mercante, o qual não só conhecia Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, de viagens anteriores, como tinha propriedade próxima ao Rio Guaíba.  Este seu amigo, inclusive, serviu de intermediário na compra antecipada que Johann fez, ainda na Alemanha, do terreno na Pedra Redonda, bairro da Tristeza, onde moraria ao chegar. Era um terreno grande, às margens do rio Guaíba, distante do centro da cidade, mas que pelas suas praias era já um local de veraneio bem frequentado. Casa e terreno ficaram, posteriormente, conhecidos como a Chácara Pabst” (Flávio Pabst, 2014).  Mais

A Família Bromberg e o lazer na Zona Sul

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Os Bromberg na chácara da Pedra Redonda

Primeira geração da família Bromberg/1900

A Porto Alegre do fim do século XIX ostentava várias casas comerciais cujos proprietários eram todos alemães. Porém, o caso de maior sucesso foi, sem dúvida, o da empresa de Martin Bromberg, que importava, de Londres, Hamburgo e Nova Iorque, ferro e máquinas para indústrias gaúchas. O nome Bromberg esteve vinculado também à construção de ferrovias e de pontes férreas, bem como à importação de locomotivas. Com filiais em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Hamburgo, a empresa importava até automóveis, entre eles, o “fusca” alemão. Com uma diversificação do capital comercial, a Bromberg, por meio de financiamentos, esteve presente na formação das primeiras indústrias no estado. Desta forma, os negócios bem sucedidos irradiaram-se pelo Brasil e por outros países da América do Sul, influenciando diretamente no desenvolvimento da economia do Rio Grande do Sul e na ascensão de grupos que tinham estreita ligação com a Alemanha. A aquisição de terras no balneário da Pedra Redonda se insere no universo de teuto-brasileiros na Zona Sul de Porto Alegre.  Mais

Os 90 anos de Elga Bins Luce

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Histórias de vida

Os 90 anos de Helga Bins Luce

Veranista da Pedra Redonda no início do século passado

Helga e o marido na Praia da Pedra Redonda/1940

Helga e o marido na Praia da Pedra Redonda/1940
Fonte: Acervo da família Luce

No condomínio familiar da Vila Nina, situado na Pedra Redonda, Zona Sul de Porto Alegre, existem ainda alguns chalés muito antigos que remetem a um tempo áureo de veraneio à beira rio. A moradia mais antiga da propriedade, erguida no final do século XIX, pertenceu ao casal Augusta e Frederico Linck, os primeiros veranistas do local. Contam seus descendentes que as terras foram adquiridas por Frederico, atendendo a um pedido de sua noiva, a Srta Augusta. Desejosa de um lugar à beira rio, não só para o descanso, mas também para estar próxima às suas amigas, Augusta teria recusado, na ocasião, uma joia valiosa, pois preferiu terras na Pedra Redonda.  No passado, chácaras e vivenda, como as da família Linck, serviram para o lazer e o descanso às margens do Guaíba. Algumas histórias dessas antigas propriedades e de seus moradores ilustres foram contadas pela Sra. Helga Bins Luce, 90 anos completados em 08 de março, a qual também veraneava no local. Casada com um dos netos de Frederico LInck  e sobrinha do Intendente de Porto Alegre Alberto Bins, ela relembra, nesta entrevista, momentos alegres de verões passados na Zona Sul.   Mais

As vivendas de verão da Zona Sul

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Vivendas de Verao 1900

Mansão erguida em 1900 para o veraneio
Fonte: acervo particular
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No auge do veraneio da Pedra Redonda e com o advento da Estrada de Ferro do Riacho cresce a procura por terrenos na região. É desta época a construção das primeiras vivendas de verão, as imponentes e admiradas residências com praia particular erguidas à beira rio. Famílias tradicionais de Porto Alegre terão por hábito banhar-se nas águas tranquilas e límpidas do Guaíba na Zona Sul da cidade. Entre essas famílias, destacam-se os Booth, Bromberg, Bier, Ely, Barata, entre outros.

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