A origem do nome Tristeza: José da Silva Guimarães, o Juca Tristeza

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Praia da Tristeza/1900 Museu Joaquim José Felizardo. Fotógrafo Lunara. Fototeca Sioma Breitman.

Praia da Tristeza/1900
Museu Joaquim José Felizardo. Fotógrafo Lunara. Fototeca Sioma Breitman.

Segundo a historiadora e professora Hilda Agnes Hubner Flores, autora do livro “Tristeza e Padre Reus (1979)”, o bairro Tristeza deve seu nome ao fazendeiro José da Silva Guimarães Tristeza, um português, morador antigo do arrabalde, casado com uma das netas do primitivo sesmeiro Dionísio Rodrigues Mendes.

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Um romance na Praia de Ipanema

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UM ROMANCE NA PRAIA DE IPANEMA

 

Gilda Marinho Fonte: Porto, Juarez

Gilda Marinho
                                                            Fonte: Porto, Juarez

Mulher exuberante, sensual e inteligente, Gilda Marinho marcou época nas primeiras décadas do século passado em Porto Alegre. Acostumada, ainda em sua terra natal (Pelotas), a desafiar costumes provincianos, Gilda foi logo notada pela sociedade gaúcha pela sua irreverência. Amada pelos homens, mas vista com maus olhos pelas esposas, as quais temiam por seus casamentos, Gilda Marinho era uma mulher de inúmeras faces. Na carreira destacou-se como jornalista, pianista, cronista, bibliotecária e vendedora de seguros. Na política era simpatizante do comunismo. Entre as muitas histórias sobre Gilda, uma se destaca: o envolvimento amoroso com homens ilustres e casados. Na década de 1930 teria tido um romance com o interventor Flores de Cunha, vinte anos mais velho do que ela. O cenário: o Balneário Ipanema, na Zona Sul de Porto Alegre. Mais

Uma casa para a juventude

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Jovens em lazer no Morro do Sabiá. Acervo de Maria de Lourdes Mastroberti

Jovens em lazer no Morro do Sabiá. Acervo de Maria de Lourdes Mastroberti

Conta Roberto Pellin em seu livro “Revelando a Tristeza (1979)” que o Morro do Sabiá, no final do século 19, pertencia ao Barão Von Seidel, um apaixonado pelo Guaíba. Teria ele construído uma platibanda sobre a figueira mais alta do morro, cujo objetivo era o de observar as embarcações entrarem no rio, vindas da Lagoa. Muitos anos depois, tais terras teriam sido adquiridas por Otto Niemayer, e, mais tarde, por Oscar Bastian Meyer, o qual arborizou e embelezou o local, tornando-o a chácara da Vila Clotilde. Porém, diante de dificuldades para administrar tão extensa área, Lya Bastian Meyer, filha de Oscar, vendeu parte da propriedade a terceiros. Entre os compradores estava o Colégio Anchieta, aquisição feita em 1949. Em pesquisas ao acervo da Revista do Globo, edição de julho de 1953, a matéria intitulada “uma casa para a juventude”, registra o início das atividades no local pelos alunos e professores da instituição: “Casa da Juventude, iniciativa de uma instituição católica, é um lugar onde os rapazes se educam nas horas de recreio”. Mais

Mapa da Zona Balneária Sul de Porto Alegre (1900 – 1950)

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Mapa dos balneários Ipanema e Tristeza. Brugger, Rita.

Mapa dos balneários Ipanema e Tristeza. Brugger, Rita.

No mapa da zona balneária de Porto Alegre, ilustrado pela artista plástica Rita Brugger, estão identificadas as principais praias da orla sul do Lago Guaíba, entre elas, Ipanema, Pedra Redonda, Vila Conceição, Tristeza e Vila Assunção. Além dos balneários, a ilustração mostra também algumas residências de verão, os condomínios familiares, os trapiches, o Hotel da Praia, o final de linha do trem (o Trenzinho da Tristeza), a igreja de Ipanema, a olaria do Comandante Booth e o Cinema Gioconda. A partir do final do século XIX, nas terras de José Guimarães Tristeza, se  desenvolveram os balneários da Tristeza, e, mais ao sul, na fazenda de Juca Batista, um pouco mais tarde, surgiu o balneário Ipanema.

 

 

Meu veraneio em Ipanema

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Na Praia de Ipanema com meu irmão.

Em janeiro dos anos 1970, a praia de Ipanema era um local aonde se dirigiam os porto-alegrenses que buscavam amenizar o forte calor. A orla fica tomada de gente. Lembro-me de que minhas primas tinham por hábito visitar-me – evidentemente, não pelos laços familiares, mas para desfrutar de banhos no Guaíba. Ainda que as águas já estivessem um pouco poluídas, os banhistas – mirins, como eu – insistiam naquela diversão. Os pais, via de regra proibiam tal prática – entretanto, nós, ainda crianças, burlávamos a vigilância para aquela brincadeira tão prazerosa que incluía os mergulhos, a coleta de conchas e o bate-papo na areia para secar o corpo ao sol.

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OS Pabst: Restaurante Familiar à beira do Guaíba

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Na primeira metade do século passado, o balneário da Pedra Redonda, situado na Zona Sul da cidade, embora distante do centro, atraía o porto-alegrense devido às suas praias de águas limpas.  Em torno de 1898, Joahnn Pabst, um imigrante de origem alemã, seguindo a mesma tradição de outros teutos recém-chegados ao Brasil, adquiriu terras na região. A ideia era um lugar para descanso e lazer às margens do Guaíba. Passados alguns anos, Joahnn construiu sua casa de veraneio, transformando o local na chácara da Família Pabst.

Joahnn e Lina Pabst Acervo de Flávio Pabst

Joahnn e Lina Pabst
Acervo de Flávio Pabst

“A escolha do Brasil como país de destino, conforme relato de João Gastão Mostardeiro Pabst, se deu por influência de um amigo de Johann: o Comandante Booth, da marinha mercante, o qual não só conhecia Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, de viagens anteriores, como tinha propriedade próxima ao Rio Guaíba.  Este seu amigo, inclusive, serviu de intermediário na compra antecipada que Johann fez, ainda na Alemanha, do terreno na Pedra Redonda, bairro da Tristeza, onde moraria ao chegar. Era um terreno grande, às margens do rio Guaíba, distante do centro da cidade, mas que pelas suas praias era já um local de veraneio bem frequentado. Casa e terreno ficaram, posteriormente, conhecidos como a Chácara Pabst” (Flávio Pabst, 2014).  Mais

O Clube Veranista Jocotó e os antigos carnavais na Tristeza

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Convite Clube Jocotó/1920

Convite Clube Jocotó/1920

A partir das primeiras décadas do século passado, a Tristeza viveu uma fase áurea ocasionada pelo movimento de veranistas que vinham em busca de lazer nas praias do arrabalde. A Zona Sul despertou também para novas formas de recreação e de cultura trazidas pelos turistas, entre eles alemães e italianos. Os imigrantes divertiam-se com os saraus, piqueniques, jogos diversos e os famosos bailes de carnaval.  Mais

O veraneio de antigamente

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Na primeira metade do século XX, as novas formas de usufruir o tempo livre, associadas ao conforto proporcionado pelos investimentos, tornaram alguns balneários da Zona Sul de Porto Alegre, lugares de veraneio, de descanso e de entretenimento. O lago Guaíba foi o grande impulsionador do desenvolvimento da região. Por meio dele, a população descobriu o veraneio em águas doces e próximas ao centro da cidade. Desta forma, criou-se uma prática agradável nos meses mais quentes do ano para aqueles que não podiam viajar longas distâncias até o litoral.

Família na Praia de Ipanema/1953. Acervo de Maria Hilma Cristóvão

Família na Praia de Ipanema/1953. Acervo de Maria Hilma Cristóvão

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A Família Bromberg e o lazer na Zona Sul

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Os Bromberg na chácara da Pedra Redonda

Primeira geração da família Bromberg/1900

A Porto Alegre do fim do século XIX ostentava várias casas comerciais cujos proprietários eram todos alemães. Porém, o caso de maior sucesso foi, sem dúvida, o da empresa de Martin Bromberg, que importava, de Londres, Hamburgo e Nova Iorque, ferro e máquinas para indústrias gaúchas. O nome Bromberg esteve vinculado também à construção de ferrovias e de pontes férreas, bem como à importação de locomotivas. Com filiais em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Hamburgo, a empresa importava até automóveis, entre eles, o “fusca” alemão. Com uma diversificação do capital comercial, a Bromberg, por meio de financiamentos, esteve presente na formação das primeiras indústrias no estado. Desta forma, os negócios bem sucedidos irradiaram-se pelo Brasil e por outros países da América do Sul, influenciando diretamente no desenvolvimento da economia do Rio Grande do Sul e na ascensão de grupos que tinham estreita ligação com a Alemanha. A aquisição de terras no balneário da Pedra Redonda se insere no universo de teuto-brasileiros na Zona Sul de Porto Alegre.  Mais

Talento traçado a lápis: a história de Lucas

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Monstrinhos RBS inspiraram Lucas

A história do homem está cheia de exemplos de pessoas que, apesar de nascidas em um meio adverso, ainda assim venceram as dificuldades e se tornaram referência em sua área. Como explicar, por exemplo, a genialidade do escritor brasileiro Machado de Assis, nascido no Morro do Livramento, filho de um pintor de parede e de uma lavadeira, que, ao vender doces nas escolas do Rio de Janeiro, aprendeu francês. Autodidata e inovador na narrativa literária, Machado chegou à condição de melhor escritor brasileiro devido a seu talento. Assim como o gênio do Realismo, ao longo dos anos, surgem crianças talentosas, cujo potencial precisa ser estimulado e valorizado. E esse fato tem sido, não raro, negligenciado por educadores e pela sociedade em geral. Esse é o caso de Lucas Vicente Dorneles, cuja história vou contar a seguir: Mais

Comandante Charles Edward Booth: da Inglaterra para a Zona Sul de Porto Alegre

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Comandante Booth em passeio pela Estrada da Pedra Redonda/1900

Comandante Booth em passeio pela Estrada da Pedra Redonda/1900 – atual Cel. Marcos.

Na segunda metade do século XIX, integrando o grupo de ingleses recém chegados ao Rio Grande do Sul, Charles Edward Booth descobre a Zona Sul de Porto Alegre. Egresso da Marinha Mercante Inglesa, Charles ficou conhecido por Comandante Booth. Conta sua bisneta Rita Brugger que ele residiu também no Partenon antes de se mudar para a Pedra Redonda. Na realidade, ele comprou uma área que ia desde a beira do rio até a Cavalhada. Toda a região onde hoje se situa os bairros Pedra Redonda e Jardim Isabel pertenciam aos Booth. “Nosso bisavô Charles foi o primeiro na Pedra Redonda, ele comprou muitas terras aqui”. Mais

Os 90 anos de Elga Bins Luce

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Histórias de vida

Os 90 anos de Helga Bins Luce

Veranista da Pedra Redonda no início do século passado

Helga e o marido na Praia da Pedra Redonda/1940

Helga e o marido na Praia da Pedra Redonda/1940
Fonte: Acervo da família Luce

No condomínio familiar da Vila Nina, situado na Pedra Redonda, Zona Sul de Porto Alegre, existem ainda alguns chalés muito antigos que remetem a um tempo áureo de veraneio à beira rio. A moradia mais antiga da propriedade, erguida no final do século XIX, pertenceu ao casal Augusta e Frederico Linck, os primeiros veranistas do local. Contam seus descendentes que as terras foram adquiridas por Frederico, atendendo a um pedido de sua noiva, a Srta Augusta. Desejosa de um lugar à beira rio, não só para o descanso, mas também para estar próxima às suas amigas, Augusta teria recusado, na ocasião, uma joia valiosa, pois preferiu terras na Pedra Redonda.  No passado, chácaras e vivenda, como as da família Linck, serviram para o lazer e o descanso às margens do Guaíba. Algumas histórias dessas antigas propriedades e de seus moradores ilustres foram contadas pela Sra. Helga Bins Luce, 90 anos completados em 08 de março, a qual também veraneava no local. Casada com um dos netos de Frederico LInck  e sobrinha do Intendente de Porto Alegre Alberto Bins, ela relembra, nesta entrevista, momentos alegres de verões passados na Zona Sul.   Mais

Os primórdios da Vila Conceição

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Helga Prainha da Conceição

Helga Piccolo na Prainha da Conceição
Fonte: Acervo da família Picollo

O bairro Tristeza, zona sul de Porto Alegre, foi o primeiro a atrair veranistas  para as temporadas de verão e férias. O local, à margem esquerda do Guaíba, viveu, a partir do final do século XIX, um desenvolvimento econômico motivado pela procura de um grande número de famílias, muitas delas oriundas de imigrantes alemães e italianos, pertencentes a uma elite porto alegrense.  Esses grupos buscavam o descanso e o lazer à beira do Guaíba, e para isso mantinham chácaras e mansões para uso nos períodos de férias e fins de semana. As denominadas Vilas Balneárias, entre elas, Assunção, Conceição e Pedra Redonda que integravam o bairro Tristeza, também foram muito procuradas neste período, pois entre as praias do Guaíba, eram as mais próximas do centro da cidade. Mais

As vivendas de verão da Zona Sul

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Vivendas de Verao 1900

Mansão erguida em 1900 para o veraneio
Fonte: acervo particular
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No auge do veraneio da Pedra Redonda e com o advento da Estrada de Ferro do Riacho cresce a procura por terrenos na região. É desta época a construção das primeiras vivendas de verão, as imponentes e admiradas residências com praia particular erguidas à beira rio. Famílias tradicionais de Porto Alegre terão por hábito banhar-se nas águas tranquilas e límpidas do Guaíba na Zona Sul da cidade. Entre essas famílias, destacam-se os Booth, Bromberg, Bier, Ely, Barata, entre outros.

Formação do Bairro Ipanema – Parte II

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Primeiros traçados do loteamento de Coufal/1930
Fonte: Acervo de Antenor Ferrás Vieira Filho

Oswaldo Coufal, o grande idealizador do Bairro Ipanema, Zona Sul de Porto Alegre, nasceu em Pelotas no dia 5 de novembro de 1899, formou-se em engenharia civil em 1922, e em 1931 já constituía sociedade com os irmãos Agrifoglio , cujo objetivo era transformar uma grande área rural à beira do Guaíba em um balneário para veranistas. Mais

A Velha Casa do Cristal e Nós

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A Velha Casa do Cristal/ Ilustração
Fonte: acervo particular

A velha casa tem sono. Dorme e sonha. Em cada peça (que foi quarto improvisado) descobre uma lembrança. Em cada canto, cada espaço, reconstitui uma recordação. Em cada móvel revive-se um instante que vai bem longe. Na sombra da amoreira, onde não há ninguém para receber o refrescar do entardecer, voltam os chimarrões, misturam-se as conversas, os conselhos dos mais velhos, dos troncos Freitas, muito antigos, antigamente. O portão improvisado e escancarado deixa passar no impossível retorno, quem já se foi. Acende, imaginando, as luzes já sem sentido. Não há porquê. No ipê, do fundo do quintal, na sempre-viva entrelaçada na cerca, tão secos e sem vida, voltam as flores amarelas e vermelhas do faz-de-conta. Na ponta da mesa, o homem de camisa branca e pijama adormece. O descanso merece assim o  seu lugar. Mais

Colonos alemães na Zona Sul de Porto Alegre: os jardins da Dona Isabel

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Primeiros tempos da chácara dos Dreher
Fonte: Acervo da família Dreher

No início do século passado, as terras onde hoje se encontra o Bairro Jardim Isabel, Zona Sul de Porto Alegre, pertenciam a Bernardo Dreher e sua família. O local abrigava, além da exuberante Mata Atlântica, uma próspera chácara, responsável pelo abastecimento de produtos hortigranjeiros à população local. Mais

O empreendedorismo de Juca Batista

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Retrato de Juca Batista
Fonte: Acervo da família

Durante muitos anos, o arroio Capivara, atualmente  situado no bairro Ipanema,  foi a fronteira entre as escassas fazendas e o Guaíba. Entre elas, encontrava-se a gleba de João Batista de Magalhães, mais conhecido por Juca Batista, um próspero comerciante e estancieiro de origem portuguesa que empreendeu nas terras deixadas por seu pai, cerca de 80 hectares, um império fundamentado no trabalho e na ajuda ao próximo. Era a vida organizando-se em torno das estâncias, símbolo do gaúcho e do estado. Mais

Morro do Sabiá: o movimento aproxima-se de Ipanema

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Primeiro ônibus de Ipanema/1926
Fonte: PELLIN, R. 1979

Os novos empreendimentos (restaurante, hotel, cassino) na Pedra Redonda, Zona Sul de Porto Alegre no início do século XX, criaram a necessidade de um meio de transporte para levar os turistas do fim da linha do trem (SERGS) até a praia do Morro do Sabiá. Por isso, em 1926, começou a circular o primeiro ônibus de Ipanema. Mais

Percepções de um lugar

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Ipanema, a luz abraça o Guaíba,

acorda as casas, colore os corpos.

Tudo é ouro.

Ipanema, o vento despe as árvores,

amarela as transversais,  enfurece o rio.

Tudo é chumbo.

Ipanema, tão belos que são,

luz e sombra, inverno e verão,

vida e solidão.

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