Passeio à Pedra Redonda

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Trapiche da Pedra Redonda na primeira metade do século passado.
Fonte: Museu Joaquim José Felizardo

O ônibus segue lento, o itinerário sempre igual: Centro de Porto Alegre à Praia da Pedra Redonda. O sol se multiplica em cores nas águas tranquilas do rio. As casinhas de banho trepidam ao entrar e sair dos banhistas. Calções de banho e camisetas de física brancas. Maiôs que contornam o pescoço e acabam nos joelhos.O dia finda. A alegria sucumbe ao pôr-do-sol vermelho no horizonte do Guaíba. Uma garça cristaliza-se no junco. Uma ametista derrama-se sobre as águas. O ônibus recolhe os restos de alegria e cansaço. A noite chega. O dia se vai. As lembranças ficam.

Formação do Bairro Ipanema – parte I

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Sociedade de Terrenos Balneário Ipanema LTDA

 

Roberto Pellin na sua barata conversível, acompanhado do amigo Jorge Sarmento em plena avenida Guaíba em IPANEMA/1936.

Sobre os primeiros tempos do bairro Ipanema e seu processo de loteamento, conta  Roberto Pellin em sua obra “Revelando a Tristeza”, volumes I e II. Segundo este autor, as terras onde hoje está assentada parte do bairro foram compradas pelo seu pai nos anos 1920: “Em 1926, fomos morar na Serraria, de onde foram extraídas as pedras para a construção do Cais do Porto. Meu pai era o capataz, dirigindo mais de cem operários. Nesta época ele comprou uma área onde é hoje Ipanema”. Os limites dessa imensa propriedade eram, de um lado, a grande margem do Guaíba, formando a enseada, desde as terras do seu João Batista Magalhães, o Juca Batista, indo até o outro lado, ou seja, os eucaliptos da Chácara das Flores, de propriedade do seu Otto Niemayer, hoje, Rua Déa Coufal. Mais

O veraneio na Pedra Redonda

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Entrevista com Maria de Lourdes Mastroberti

MLourdes em Ipanema/1952

A alegria era contagiante durante os veraneios na Pedra Redonda, conforme relembra Maria de Lourdes Mastroberti, cujos passeios à orla eram uma constante nos domingos de verão, entre os anos 40 e 50 do século passado. Nas fotos deste post, que fazem parte de seu acervo pessoal, repare nos modelos do maiô – a cada veraneio, uma nova peça. 

Pedra Redonda/1953

“A gente ia porque era o lugar que tinha praia. No fim de semana, no domingo, a gente saía de manhã bem cedinho e voltava à tarde. Tinha ônibus com tranquilidade. Se aproveitava a praia, com dia bonito. Ia eu, minha irmã e uma amiga dela. E eu gostava muito.

Levávamos lanche. Galinha com farofa não podia faltar, e o bolo, que a minha mãe fazia. A gente comia também ovo cozido e levava pão com salame e queijo, era o sanduíche. Para beber, se levava umas garrafinhas com refresco. E tinha ainda aquelas famosas barraquinhas para se trocar. Eram compridas, tinha uns 2 metros de altura, era como um cone. Em cima, tinha um cordão que a gente amarrava nas árvores. Na barraquinha, cabia só uma pessoa. A gente entrava lá dentro, tirava o vestido e colocava o maiô. Ficava o dia inteiro de maiô. Tomava-se banho no Guaíba.

Ah, se aproveitou muito lá na Pedra Redonda. No fim do dia, a gente colocava tudo dentro de uma sacola e voltava para casa. Esperava o ônibus no final da linha, tudo na maior tranquilidade. Hoje, já não se pode fazer mais isso.”

Pedra Redonda/1953

Cine Ipanema

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Correio do Povo/1958

Foi no tempo em que os cinemas ainda tinham os programas de tela e palco com shows ao vivo e cortinas de veludo que se tem notícia das primeiras salas de exibição nos bairros de Porto Alegre. Susana Gastal, autora de “Salas de Cinema: Cenários Porto-Alegrenses” chama de Cinelândia, a descentralização dos cinemas ocorrida nas décadas de 40 e 50 do século passado. Na Zona Sul de Porto Alegre, três tiveram suas estreias nos anos 50. Duas salas de exibição foram criadas no bairro Belém Novo (Cine Art e Belgrano), e uma no bairro Ipanema (Cine Ipanema). Mais

Recordar é viver!

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Na tarde de ontem, o Chalé da Praça XV, foi o ponto de encontro entre leitores e jornalistas de Zero Hora. Nesse local histórico do Centro de Porto Alegre, onde ocorreu a segunda edição especial Café ZH, uma conversa relembrando o passado caiu bem. Na companhia da historiadora e blogueira do ZH Zona Sul Janete da Rocha Machado (de branco) e do fotógrafo Ricardo Chaves, conhecido como Kadão, recordamos fatos curiosos da Capital.

Um deles, ligado à Zona Sul, diz respeito a chegada de um Boeing, que se transformaria em um ponto de encontro de Ipanema, com o corpo e asas do avião, claro. Essa e outras histórias, Janete promete compartilhar com os leitores, tanto do ZH Zona Sul quanto do Almanaque Gaúcho, coluna comandada pelo Kadão. Aguardamos ansiosamente!

Herança Farroupilha retirada do Guaíba

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Âncora permanece enfeitando o jardim da casa na esquina da Guaíba com a Gávea

Na edição do ZH Zona Sul desta sexta-feira contamos na capa a história de uma âncora retirada do barco Maruí, econtrado no Guaíba há quase 50 anos. Soubemos da presença desta peça histórica no jardim da casa localizada na Avenida Guaíba, 684, por meio da nossa blogueira Janete da Rocha Machado. Confira abaixo a matéria:

Fonte: http://wp.clicrbs.com.br/zhzonasul/2011/11/11/um-tesouro-na-regiao/?topo=13,1,1,,,13 Mais

Passeio ao Centro Histórico de Porto Alegre

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Turma do Pós da FAPA em passeio pelo Centro Histórico de POA

Passeio ao Centro Histórico de Porto Alegre em julho de 2010.

Uma tarde agradável com a turma do curso de pós-graduação em Rio Grande do Sul da FAPA.

Nosso guia turístico foi a professora e superintendente regional do IPHAN, Ana Lúcia Meire. PasseioPOA

Retrato de Beth

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Beth (de laço no cabelo) e amiguinhas (eu de chapéu)

De parto normal e assistida por D. Maria parteira, nasceu Beth.  Mais

Nossa Senhora Aparecida e a Capela de Ipanema

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Capela de Ipanema em 1937/Pintor: Carlos R.Rosa

Preocupada com o futuro religioso do novo bairro que surgia, D. Déa Cezar Coufal, responsável por inúmeros trabalhos sociais em Ipanema e devota de Nossa Senhora Aparecida, empreendeu também a construção da capela nos anos 30 do século passado.  Atualmente conhecido por Santuário Nossa Senhora Aparecida, o local oferece a comunidade, todos os anos, uma das festas mais bonitas em homenagem a Santa Padroeira do Brasil.

Essa matéria pode ser vista também no Blog Zona Sul  da Zero Hora: http://wp.clicrbs.com.br/zhzonasul/2011/10/12/nossa-senhora-aparecida-em-ipanema/?topo=13,1,1,,,13

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Vovô, a Praça da Alfândega e seu fotógrafo Lambe-Lambe

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Vovô na Praça da Alfândega

A Praça da Alfândega, no Centro de Porto Alegre, rodeada de prédios neoclássicos era o lugar aprazível, onde os namorados encontravam-se para conversar e passear. Era, ali, também, que se tiravam “retratos”, no intuito de ofertar à namorada, ou, quem sabe, deixar à posteridade, uma lembrança.  Mais

Ipanema nas melhores lembranças

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Entrevista com Fernando Affonso Gay da Fonseca

Fernando Gay da Fonseca autografando um de seus livros

Fernando Gay da Fonseca autografando um de seus livros

Em dezembro de 2010, tive o prazer e o privilégio de conhecer Fernando Gay da Fonseca, homem público e comprometido com a educação e a cultura. Gay da Fonseca foi político, jurista e professor da PUCRS. Também esteve na Secretaria de Justiça do Estado e como governador do Rio Grande do Sul (interino) exerceu as atividades na década de 1960.  Ocupou o Senado Federal e integrou a Delegação do Brasil na Assembleia das Nações Unidas, percorrendo vários países.  Foi representante na ONU e na UNESCO  em diversos momentos de sua carreira política, um tempo muito rico, como ele mesmo diz. Dono de uma incontestável cultura, geral e jurídica, Fonseca declara nesta entrevista, um grande amor pelo bairro Ipanema, lugar em que viveu quase toda sua vida. A seguir a entrevista concedida por ele, na sua casa em Ipanema, onde vive com a filha e os netos.  Mais

Morro do Sabiá: história e requinte na Zona Sul de Porto Alegre

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Chácara da Vila Clotilde no Morro do Sabiá

Morro do Sabiá: história e requinte 

Moradores da Vila Clotilde em 1910

No finalzinho do século XIX, primórdios do bairro Ipanema, todo o Morro do Sabiá, vizinho da Pedra Redonda, pertencia ao Barão Von Seidel, um solteirão que construiu uma platibanda sobre a figueira mais alta do morro para ver as caravelas entrarem no Guaíba. Entre as embarcações observadas, estavam aquelas que traziam imigrantes, a maioria alemães, a Porto Alegre. Eram viajantes que, ao visitar a região, então Província de São Pedro, deixaram importantes testemunhos acerca da história da cidade.

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Lya Bastian Meyer: a grande dama do ballet clássico de Porto Alegre

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Divulgação do espetáculo de Lya no Theatro São Pedro

Durante muitos anos de minha infância e adolescência, sonhei com a residência da Vila Clotilde no Bairro Ipanema. Um imponente casarão encravado em meio à vegetação, serpenteado por um rio e estradinhas que pareciam feitas de brinquedo. Ao fundo, lá longe, a linda residência lembrava os castelos das princesas e príncipes encantados. Era ali onde minha imaginação se experimentava mais desafiada e minha vida de menina se convidava a encontrar outros mundos que lhe dessem mais fantasia e prazer. Mas, o que era prazer não deixava de ser aprendizagem, pois durante muitos anos desejei conhecer a história daquela morada e de seus personagens numa fantasia repleta de outros mundos. Tornei-me historiadora e hoje pesquiso a Zona Sul de Porto Alegre. E, para minha grande surpresa, não é que encontro-me com meu sonho de menina? Conhecer e escrever sobre a princesa daquele castelo encantado: Lya Bastian Meyer – a grande dama do ballet clássico do Rio Grande do Sul.
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Lembranças da infância

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Na foto estão: nossa empregada, minha mãe, minha tia, meu irmão e um amigo, minha prima e eu e minha outra tia.

Passeio de canoa pelo Guaíba (eu de conjunto listradinho e meu irmão de calças curtas)

Ao meu irmão …

Eu queria ser criança novamente, correr despreocupado pelas ruas, soltar pandorgas, me armar de bodoque, pegar passarinho, dar mergulhos no rio, fugir da escola. Brincar de forte apache, ser de novo um general condecorado, um Custer no Sétimo Batalhão comandando a infantaria mirim, enfrentando Touro Sentado e Cavalo Louco. Tocando a alvorada, liquidando sioux de plástico, fazendo soltar o Rin-Tin-Tin com sua pintura descascada sobre um Jerônimo não menos fantasioso. Não, pensando melhor, um jogador de futebol, vestir novamente aquela camiseta surrada, batida e chutar uma bola de sonhos perdida na minha doce e maravilhosa infância.

 

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Oportunidade para a vida – Projeto Pescar Procergs

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Ideias não se constroem se não saírem do papel. Vamos dar as mãos e, principalmente, sentir que, naquilo que depende de nossa pequena ajuda, estamos em ação”. Geraldo Tollens Linck (1927-1998)

Turma Projeto Pescar Procergs

Turma Projeto Pescar Procergs

Fala-se muito em ações solidárias ou atitudes que incentivam à prática social, como ajudar pessoas necessitadas, excluídas e marginalizadas, entretanto, a própria sociedade exclui. A exclusão social se evidencia na ausência de valores humanos, revelando um mundo vinculado ao mercado competitivo, onde a proposta educativa para a formação é aquela que visa ao vestibular e posteriormente ao mercado de trabalho. E como ficam os jovens que não tem acesso a essa formação? A resposta é óbvia: ficam no submundo do narcotráfico, da prostituição e da delinqüência, cujos efeitos são devastadores a toda sociedade. Tanta energia e potencial criativo de milhões de jovens, perdidos pela falta de acesso à educação e a formação profissional. Mais

História da Via Férrea na Zona Sul de Porto Alegre

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Trenzinho da Tristeza

Trenzinho da Tristeza

O TRENZINHO DA TRISTEZA

No final do século XIX começou a funcionar, em Porto Alegre, uma linha férrea que servia aos bairros margeados pelo rio Guaíba. Também conhecida por Estação Ferroviária do Riacho, porque ficava à beira do Arroio Dilúvio, a linha do trem foi muito importante, pois, além de transportar passageiros e cargas, constituía um dos melhores passeios turísticos de Porto Alegre. Mais

Os 15 anos ninguém esquece

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http://wp.clicrbs.com.br/zhzonasul/2011/06/30/1923/?topo=13,1,1,,,13

Uma História de amor – Viver em Ipanema –  Meus 15 anos

Eu de vestido e tiara rosa ao centro da foto

 

Quando revisitamos antigos álbuns de família, reencontramos o passado. Às vezes, não nos recordamos, por inteiro, do momento vivido naquele período, mas acabamos interpretando a imagem e transformando uma lembrança em história. Mil novecentos e setenta e oito foi o ano de minha festa de 15 anos. Mais

Mulheres de Ipanema – Déa Coufal

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Déa e Oswaldo Coufal

DÉA COUFAL

            A história de um povo também pode ser contada por meio dos nomes das ruas das suas cidades. Os endereços que escrevemos em documentos, remetentes e destinatários de correspondência, retratam características de um território, sinalizam acontecimentos marcantes e, em muitos casos, são nomes de pessoas, cujas histórias de vida, a grande maioria dos cidadãos desconhece. É, sobretudo, entendida como uma forma de homenagear post mortem, aqueles que se destacaram em vida. Esse é o caso de Déa Coufal, moradora do bairro Ipanema desde a sua criação nos anos de 1930. Mais

Hotel Cassino – Pedra Redonda/Ipanema

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Neste vídeo conto um pouco da História da Zona Sul de Porto Alegre, mais especificamente sobre a Pedra Redonda e o Hotel Cassino.

Este hotel ficava no local onde hoje é a Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul.
Exibido na TVCom em 08/04/2011 no programa Estilo Bem Viver com apresentação de Lú Adams.

O veraneio na Pedra Redonda – IPANEMA

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O veraneio na Pedra Redonda

 

Rapazes na Pedra Redonda/1920
Fonte: Acervo Museu de POA

 

Banhistas na Pedra Redonda/1920Fonte: Acervo Museu de POA

Banhistas na Pedra Redonda/1920
Fonte: Acervo Museu de POA

A Pedra Redonda, desde a Ponta dos Cachimbos, na Vila Conceição, até o Morro do Sabiá em Ipanema, foi adquirida em 1903 pelo Senhor Frederico Guilherme Bier, um rico comerciante de Porto Alegre. Fundador do Banco Pfeiffer, foi também um dos grandes acionistas dos Bancos da Província e Nacional do Comércio. Seu Frederico fazia parte de uma burguesia ascendente que residia em Ipanema no início do século passado, e por isso ficara com os melhores terrenos da região.  Mais

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