Casarão da Várzea/século XIX Fonte: DELFOS/PUCRS

Casarão da Várzea, sede do Colégio Militar, redefiniu a arquitetura e a paisagem da Capital.

Portentoso prédio faz parte do patrimônio histórico da cidade desde a fundação, em 1872.

Em meados do século dezoito, a região, onde hoje está localizado o Parque Farroupilha, não passava de um imenso banhado. O terreno era baixo, alagadiço, um vale, daí a origem do nome Várzea. A formação geológica explica a topografia da cidade: há milhões de anos sequências de elevações formaram os vales, surgindo, então, um terreno de aluvião em que serpenteava o Arroio Dilúvio. Como era uma área alagada, os agricultores não a ocuparam, utilizavam-na somente para o abate do gado. Este era o único local para esta finalidade, localizando-se ali o matadouro público, de onde saíam as carnes diretamente para os açougues da cidade. Em 1807, as terras foram doadas para a Câmara de Porto Alegre. Os vereadores se apressaram para vender e, consequentemente, lotear o terreno, cujo propósito era o de obter recursos financeiros para a construção da cadeia municipal.

No ano de 1826, D. Pedro I, então Imperador do Brasil, não permitiu o negócio, argumentando que a área seria destinada às atividades militares. Com a negação da venda, o terreno ficou no domínio público, permanecendo com a antiga função, ou seja, de depósito de gado, o que justificou durante muitos anos o nome de “Potreiro da Várzea”. Nos anos seguintes, a Várzea foi efetivamente destinada aos militares, o que concretizou o desejo do imperador. É possível que houvesse menos trechos alagadiços, e, durante a maior parte do ano, o banhado não atrapalhasse àquelas atividades.

Na segunda metade do século 19, o local recebeu uma imponente construção: o “Casarão da Várzea”. O ofício para a liberação da obra partiu do Presidente da Província Jerônimo Martiniano de Melo, e também, da autorização do Ministério da Guerra, o qual previa a construção de um quartel na cidade.

Casarão da Várzea/século XX. Fonte: Delfos/PUCRS

O prédio abrigaria, no futuro, a escola preparatória de cadetes e o conhecido Colégio Militar de Porto Alegre. A pedra fundamental do edifício foi colocada em 20 de abril de 1872.

Oficiais e alunos da antiga Escola de Guerra/1940
Fonte: Delfos/PUCRS

Segundo a obra “Porto Alegre, biografia de uma cidade (1940)”, o local funcionou como Escola Militar da Província do RS (1883), 1º Regimento de Artilharia e 6º Regimento de Cavalaria (1893), 25º Batalhão de Infantaria (1903), Escola de Guerra e de Aplicação (1905), Colégio Militar (1912), Escola Preparatória de Cadetes (1932). Não cabe aqui uma descrição aprofundada do prédio, bem como de sua construção. Para isso existe uma conceituada bibliografia. A questão é que o Casarão, primeiro recorte na paisagem, definiu um novo alinhamento dentro da grande várzea. Com o passar dos anos e a consequente modernização da cidade, surgiram novos prédios, ruas e praças, preenchendo a antiga região e reduzindo o primitivo potreiro. Porém, o imponente casarão com sua forte e bela arquitetura continuou destacando-se no cenário da Várzea, marcando de forma indelével a cidade e o bairro. Fato esse que ainda permanece.

Casarão da Várzea.
Fonte: Delfos/PUCRS

(Fonte: Acervo Benno Mentz – Delfos/PUCRS)

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